quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Regresso ao passado

O dia está cinzento, o vento sopra forte e a nostalgia bateu-me...regresso ao passado e vejo o meu pai a preparar-se para ir trabalhar enquanto a minha mãe lhe prepara a marmita com o almoço, tempos distantes, rotinas antigas que me deixam saudade confesso.
Em tempos foi assim , poupar era a palavra de ordem e a imaginação para sobreviver tinha de ser muito fértil, almoço levado de casa, roupa nova só no Natal, brinquedos tinha de os fazer e ir ao futebol só de borla e acompanhado por um adulto que me metia dentro do campo (estádio) dizendo ao porteiro que era meu tio.
Vivia-se com muito pouco mas era enriquecedor pois tudo isto nos aguçava o engenho.
Foi há quase 40 anos, vivi-o com gosto mas confesso que sei que os meus filhos não estão preparados para o viver, sinto-me por isso na obrigação de alertar que estamos a caminhar a passos largos para o antigamente, novamente a marmita, a roupa só no Natal e os jogos inventados por nós...tudo isto está de volta, só que agora já vivemos a ostentação, e ser feliz com pouco quando não se tem nada é fácil, difícil é ser feliz com nada quando já se teve tudo.

1 comentário:

  1. Muito bom texto cunhado!

    Em certos aspectos o antigamente seria um bom remédio para os dias de hoje!

    É claro que um regresso ao passado por estupidez e irresponsabilidade politica, e por bastante ingenuidade do povo, não é de agradecer nem louvar!

    Como sabes também cresci numa família com dificuldades financeiras, por essa razão hoje sei dar valor ao pouco que tínhamos mas que nos aguçava a imaginação, desenvolvia o físico e estreitava o valor da família e de amizade.
    Sei que me habituei facilmente a viver com mais, mas sempre questionando-me qual a necessidade de tanto materialismo! Não me vai custar assim tanto reduzir os gastos, mas a razão dessa necessidade repentina é completamente estúpida e preocupante!

    A marmita vai fazer muito bem a alguns que pensam que o dinheiro cai do céu, e não querem realizar que na verdade ele nasce de um cartão de crédito viciante, ou de empréstimos que os prende para sempre.

    Penso que aprender a viver com menos vai ajudar muitos a encarar a vida de outra maneira, a dar valor a muitas outras coisas mais importantes que o material.

    Infelizmente o regresso ao passado vai piorar a vida de muitos outros que sempre viveram em dificuldade. Preocupo-me com esses, e também um pouco com as crianças que não foram ensinadas a viver com menos! Mas essas mais tarde ou mais cedo adaptam-se!

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